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12 julho 2017

Relator da CCJ recomenda que denúncia contra Temer deve ser aceita, mas governo está a todo vapor com operação “pizza”

O presidente Michel Temer (PMDB) sofreu uma perigosa derrota nesta segunda-feira (10). O relator da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados deputado Sérgio Zveiter (PMDB) deu parecer favorável ao prosseguimento do processo contra o presidente, investigado por corrupção passiva. O texto agora deverá ser votado por todos os deputados da Comissão, que possui 66 membros, o que está previsto para ter início nesta quarta (12).

A sessão ocorreu a portas fechadas. Só entraram deputados, assessores e a imprensa. Contudo, do lado de fora, sindicalistas e movimentos sociais se manifestaram sem trégua contra o governo.

Quando o relator deu o parecer favorável à continuidade do processo na Câmara, os gritos dos manifestantes de “Fora Temer” ecoaram na sala onde ocorria a sessão, o que fez a imprensa ir cobrir a manifestação.

O texto precisa de maioria simples (metade mais um dos presentes) para ser aprovado. Contudo, a tropa de choque de Temer já articulou um relatório alternativo para ser votado. O texto, a favor de Temer, foi protocolado ainda na noite de ontem pelo líder do PMDB na Câmara, o deputado Baleia Rossi.

Considera-se que a decisão final na CCJ tem peso político, porém, independente do relatório aprovado ser favorável ou não à abertura de processo contra Temer, o pedido da PGR (Procuradoria Geral da República) irá à votação na Câmara.

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Operação “pizza” a todo vapor
Apesar de estar por um fio, Temer segue se agarrando à cadeira presidencial desesperadamente. A operação para impedir a aprovação do relatório de Zveiter pela CCJ e para garantir na Câmara a rejeição do pedido de abertura de processo está a todo o vapor e a palavra de ordem é o vale-tudo. O governo deu início a uma operação descarada, com manobras e compra de votos, como a troca de membros da CCJ, liberação de cargos e verbas.

Segundo levantamento com base nos dados do Siafi, feito pela Reuters, nos cinco primeiros meses do ano, o governo liberou R$ 959 milhões em emendas para deputados e senadores. Somente em junho, foram R$ 529 milhões, acumulando um total de quase R$ 1,5 bilhão no ano.

Para barrar a denúncia na Câmara, Temer precisa de apenas 172 dos 513 deputados. Inclusive, não é necessário que sejam 172 votos contra a denúncia. Ausências no plenário no dia da votação também favorecem o peemedebista.

Votação está nas mãos de corruptos. Nenhuma confiança!
Apesar da decisão desfavorável a Temer, com o parecer apresentado pelo relator, nada está garantido. Não podemos esquecer que a Câmara está lotada de deputados também envolvidos na Lava Jato e denunciados por corrupção.

Com o aprofundamento a cada dia maior da crise política e denúncias de corrupção, há em curso uma operação “abafa”, que envolve a maioria dos partidos como o PMDB, PSDB, DEM, SD, entre outros, para livrar os corruptos.

Não dá para ter qualquer garantia que esse Congresso vote pela saída de Temer. Ao contrário. Apesar do estado terminal de Temer, governo, Câmara e Senado seguem firmes na tramitação das medidas contra os trabalhadores, como a Reforma Trabalhista, que pretendem aprovar neste dia 11. O plano B da burguesia diante da queda de Temer é sua substituição pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM).

“Maia é o Botafogo, um dos deputados corruptos da lista da Odebrecht. Também atolado em denúncias de corrupção e é defensor de todas as contrarreformas do governo Temer contra os trabalhadores. Novamente, querem trocar o sujo pelo mal lavado”, avalia o integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

“O projeto do empresariado e dos poderosos é aprovar a ferro e fogo o ajuste fiscal e as reformas Trabalhista e da Previdência. Por isso, nós trabalhadores não podemos dar nenhuma trégua ao governo ou ter ilusões que a situação se resolverá no Congresso de picaretas ou em negociações de Medidas Provisórias. Como bem afirma a nota da CSP-Conlutas, a tarefa que se impõe é de nossa ação direta, portanto, é a de um chamado unitário para uma nova Greve Geral. Só nas ruas e nas lutas poderemos por para fora Temer, esse Congresso de picaretas e impedir as reformas”, defendeu Mancha.

Fonte: CSP Conlutas
Foto: Reprodução


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