Vivemos um momento global de avanço da extrema-direita, impulsionado pela crise do sistema capitalista. Em nome da “austeridade fiscal”, os direitos humanos são os primeiros a serem atacados, e os principais alvos seguem, historicamente, sendo as mulheres.

Temos diante de nós um cenário desafiador que foi agravado pela pandemia: disparidades de gênero no mercado de trabalho, violência doméstica e sobrecarga com os trabalhos de cuidado – ainda pouco reconhecidos e não remunerados. No cenário internacional, com o retorno de Trump à Casa Branca e a eleição de outros políticos extremistas, as palavras de Simone de Beauvoir ecoam de modo ainda mais urgente: “Basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados.”
Os direitos reprodutivos, a legalização do aborto e a paridade de gênero seguem sob ataque constante. Com uma conjuntura pouco otimista, a arte, a cultura, o cinema e as ciências humanas continuam sendo nossos canais de expressão, reivindicação e de mobilização social.
O filme “Ainda Estou Aqui” (2024) emocionou o Brasil e o mundo ao contar a história de uma mãe, esposa, Mulher que desafiou a ditadura, lutou ao lado dos povos originários e exigiu justiça pelos crimes cometidos durante o regime militar.
Hoje, homenageamos Eunice Paiva, Conceição Evaristo, Erika Hilton, Xica Manicongo, Rita Lee, Sonia Guajajara, Nise da Silveira, Marielle Franco e todas as nossas docentes subversivas, irreverentes e destemidas que contribuíram e contribuem na construção de um modo de vida mais igualitário.

Ainda estamos aqui e permaneceremos aqui, resistindo contra qualquer ataque aos direitos das mulheres. Por nenhum direito a menos, até que tenhamos uma verdadeira transformação na ordem social.