SINDUECE – Seção Sindical dos Docentes na UECE

Sinduece repudia os feminicídios no CEFET-RJ e envia solidariedade às famílias das servidoras

Sinduece repudia os feminicídios no CEFET-RJ e envia solidariedade às famílias das servidoras

Na sexta-feira (28), fomos impactados por uma triste notícia que não pode jamais ser tratada como comum: o assassinato de duas mulheres em seu local de trabalho, no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ).

As servidoras vítimas de feminicídio eram Allane de Souza Pedrotti Matos, 41 anos, doutora em Letras, coordenadora pedagógica e acadêmica, presidente da comissão geral de Permanência e Êxito do CEFET-RJ e desempenhava outros papéis em comissões e coordenações na instituição, era cantora, compositora e pandeirista. Layse Costa Pinheiro, 40 anos, era psicóloga escolar desde 2017, descrevia-se como apaixonada por música e dança.

Duas mulheres jovens, cheias de sonhos, que desempenhavam papéis fundamentais e de liderança para a vida institucional do CEFET-RJ que tiveram suas vidas brutalmente interrompidas dentro do espaço de trabalho. O crime, cometido por um colega de trabalho, expõe a recusa machista em ser chefiado por mulheres e evidencia a violência, o assédio e a perseguição que atravessam o cotidiano de trabalhadoras nas instituições públicas e no mercado de trabalho.

O episódio evidencia não apenas o fracasso estrutural em garantir o direito das mulheres a liderar e a viver, mas uma negligência concreta e inaceitável das instituições diante de riscos plenamente conhecidos. O autor das mortes já havia sido denunciado, afastado por questões de saúde mental e representava uma ameaça real – uma das vítimas evitava o assassino há meses, por medo. Nada disso foi suficiente para que fossem adotadas medidas mínimas de proteção ou protocolos de segurança que evitassem o pior. O feminicídio foi o resultado direto da omissão das instituições diante de alertas explícitos.

É urgente pensarmos e pautarmos politicamente medidas concretas de proteção para mulheres, que são submetidas diariamente à sobrecarga laboral, assédios, violências e desigualdades nos espaços de poder. Os índices de feminicídio no Brasil seguem alarmantes, com crescimento ano após ano (SINESP), revelando a incapacidade do Estado em formular e implementar políticas públicas eficazes de prevenção e de garantia do bem viver que mantenham as mulheres seguras, vivas e sem medo.

Não podemos ignorar, ainda, o papel das redes sociais na amplificação de discursos misóginos, que incentivam a violência, pregam a submissão feminina e alimentam pensamentos de retrocessos incompatíveis com qualquer projeto de sociedade democrática e igualitária. Não podemos permitir que a multiplicidade e velocidade com que esses discursos circulam livremente nestes canais normalizem a violência de gênero e ataquem os direitos duramente conquistados pelas mulheres.

Manifestamos nossa solidariedade às/aos docentes, técnicas/os administrativas/os e estudantes do CEFET-RJ/Maracanã, bem como às famílias, amigas e amigos de Allane e Layse. E reiteramos nossa posição lado a lado do Sindicato Nacional, ANDES-SN, na luta contra todas as formas de opressão como caminho de defesa da educação pública, da democracia e de uma universidade para todos e todas.

Não, foi uma tragédia. Foi feminicídio. Basta!

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